PRETO INOCENTE

Jales SP, sexta feira 18 de janeiro de 2002

Frase da Semana:"PRA SALVAR A MINHA VIDA COM A MORTE ELE BRINCOU"

Música da Semana:"PRETO INOCENTE" - (Teddy Vieira - Campão - Bento Palmiro) - (Tião Carreiro e Pardinho - Casinha da Serra - faixa 06) - (1963) - Moda de Viola com letra forte e marcante, grande sucesso do Tião, retrata que não devemos discriminar: Cultura, Raça e Religião

(Escolha da Frase e Comentário: Cesar Fortes - São Paulo SP -Trio "C", que esteve presente na atualização da Música da Semana)   

(Colaboração na digitação da letra: Ariovaldo Ferreira de Freitas - São Paulo SP)

          Quando eu soube desse fato pelo radio anunciado

          Que um tal preto fugido morreu por haver roubado

   As façanhas que ele fez me deixou muito amolado

           Por alembrar que os pretos sempre são os mais visados

   Mas diante da verdade eu vi que estava enganado

 

Vou contar o causo direito do modo que se passou

Porque o pai de Suzana num criminoso virou

Na hora que deu o tiro foi que a Suzana gritou

Oh papai porque fez isso o senhor nem me consultou

Se eu ainda estou com vida é o preto que me salvou

 

No mato eu tava lenhando logo pegou escurecer

O caminho que eu voltava eu não podia mais ver

Naquilo avistei o preto de susto peguei tremer

Mocinha não tenha medo escutei ele dizer

Eu sou preto só na cor mal nenhum vou lhe fazer

 

Eu tava muito cansada o meu corpo não agüentou

Fui sentar debaixo dum toco uma cobra me picou

O preto rancou da faca o meu pé ele sangrou

O veneno da serpente com a boca ele tirou

Pra salvar a minha vida com a morte ele brincou

 

E aqui nessa cabana ele trouxe eu carregando

E que nem um sentinela na porta ficou vigiando

           Lá fora na mata escura as feras tava uivando

Abatido pelo sono coitado foi cochilando

          Veio o senhor de surpresa e a vida foi lhe tirando

 

            Com as palavras de Suzana o seu pai pegou chorar

    Fosse coisa que eu pudesse de novo a vida eu lhe dar

 Com o sangue desse inocente minha honra eu fui manchar

     Este chão que ele pisava eu não mereço pisar

    Sei que vou ser condenado só Deus pode me livrar